Pastor africano pede orações com o avanço do Ebola no Congo: “Já perdemos muita gente”
- 29/05/2026

Um pastor africano pediu orações em meio ao surto de Ebola na República Democrática do Congo. O líder afirmou que, apesar dos esforços para conter a doença, ela continua avançando e causando desespero entre moradores de regiões afetadas.
O pastor e missionário Bisoke Balikenga relatou que muitas famílias já perderam parentes vítimas da doença e enfrentam dificuldades para lidar com a crise sanitária.
"Orem por nós para que Deus impeça a propagação da doença entre as pessoas, para que as pessoas parem de morrer, porque até agora já perdemos muita gente", disse ele à CBN News.
Balikenga atua em Bunia, uma das áreas mais atingidas pelo surto na África Oriental, por meio do ministério Hearts for the Congo (“Corações para o Congo”), organização que evangeliza órfãos, refugiados e famílias em situação de vulnerabilidade.
A revolta de moradores contra os protocolos de saúde
O médico Tyler B. Evans, especialista em doenças infecciosas que atuou em duas grandes operações de resposta ao Ebola, informou que a doença se espalha por meio do contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, como sangue e saliva.
"O maior risco de disseminação ocorre nas primeiras 48 horas após a morte, portanto, o cuidado adequado dos cadáveres é muito importante", explicou o médico.
No entanto, a situação se agravou devido à revolta de moradores contra os protocolos de saúde impostos pelas autoridades, que não permitem que as famílias enterrem seus entes queridos devido ao alto risco de propagação da doença.

“O centro de saúde foi destruído pelos jovens. As pessoas querem ficar com os cadáveres”, contou o pastor.
"Eles estão com raiva porque querem enterrar. Na África, o enterro é algo levado muito a sério. Eles gostam de honrar seus entes queridos estando presentes no enterro. Mas agora, quando alguém morre de Ebola, nenhuma família pode ter acesso ao corpo. Somente os profissionais de saúde podem enterrá-lo”, acrescentou.
‘É um dos vírus mais mortais que existem’
Mesmo diante das restrições, igrejas e líderes cristãos têm participado de campanhas educativas para orientar a população sobre formas de prevenção. O pastor afirmou que o objetivo é conscientizar os moradores enquanto oferece apoio espiritual às famílias afetadas.
De acordo com especialistas, a taxa de mortalidade do Ebola pode variar entre 20% e 50%, dependendo da variação do vírus e das condições de tratamento.
"É realmente sério. É um dos vírus mais mortais que existem, e é por isso que é tão importante que o controlemos”, afirmou o médico.
O Dr. Evans alertou que o vírus continua sendo uma das doenças mais letais do mundo e destacou que a variante atual tem demonstrado resistência à maioria das vacinas e tratamentos disponíveis.

Nos Estados Unidos, o governo ampliou os protocolos de triagem para viajantes vindos do Congo, Sudão do Sul e Uganda.
"Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos", relatou o Secretário de Estado Marco Rubio durante uma reunião de gabinete.
E continuou: "Portanto, o Departamento de Estado e outras agências estão trabalhando arduamente para conter essa crise nos países onde ela se encontra atualmente”.
A medida ocorre em meio à preocupação internacional com a disseminação da doença, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo que será sediada nos Estados Unidos.








