Pai evangélico recorre à Corte Europeia após ser proibido de ensinar a Bíblia ao filho

  • 22/09/2026
Pai evangélico recorre à Corte Europeia após ser proibido de ensinar a Bíblia ao filho
Pai evangélico recorre à Corte Europeia após ser proibido de ensinar a Bíblia ao filho (Foto: Reprodução)

Um pai evangélico recorreu ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), em Estrasburgo, após ser proibido pela Justiça da Espanha de levar seu filho à igreja e compartilhar com ele ensinamentos da Bíblia.

O caso teve início após a mãe da criança se opor à formação religiosa que o pai passou a transmitir ao menino depois da separação do casal.

A disputa percorreu diferentes instâncias judiciais espanholas e chegou ao Tribunal Constitucional, que rejeitou o recurso apresentado pelo cristão.

Agora, após esgotar as vias judiciais na Espanha, o pai levou a questão ao tribunal europeu, segundo o Evangelical Focus.

A controvérsia começou em 2022. A mãe pediu à Justiça que recebesse autoridade exclusiva para decidir sobre a formação religiosa do filho, nascido em 2016, até que ele completasse 12 anos.

Ela alegou que, depois da separação, o pai começou a levar o menino a uma igreja evangélica, mostrar passagens da Bíblia em um tablet e compartilhar conteúdos relacionados à sua fé.

Segundo os autos, durante o período em que os pais viviam juntos, a criança não recebeu formação religiosa específica. O menino não havia sido batizado e, na escola, frequentava aulas de educação em valores em vez das aulas de religião.

Proibido de levar o filho à igreja

Em maio de 2022, o Tribunal de Primeira Instância nº 6 de Alcobendas, em Madri, acolheu o pedido da mãe e concedeu a ela o exercício exclusivo da autoridade parental no que diz respeito às decisões sobre a formação religiosa do filho até os 12 anos.

A decisão proibiu expressamente o pai de levar o menino à igreja evangélica, mostrar à criança passagens bíblicas no tablet e instruí-lo na fé evangélica.

O tribunal argumentou que, enquanto a criança não tivesse maturidade suficiente para decidir sobre sua própria fé e diante da falta de acordo entre os pais, deveria ser preservada a situação religiosa existente antes da separação.

A decisão foi mantida pela Audiência Provincial de Madri, em janeiro de 2023.

O pai, então, recorreu ao Tribunal Constitucional espanhol. Ele argumentou que a medida violava seu direito à liberdade religiosa e seu direito de transmitir ao filho uma formação religiosa e moral de acordo com suas convicções.

Segundo sua argumentação, impedir que compartilhasse sua fé no ambiente familiar concederia à mãe, na prática, poder de veto sobre sua liberdade religiosa e sobre a formação espiritual da criança.

Tribunal Constitucional rejeita recurso

Em maio de 2025, o Tribunal Constitucional rejeitou por unanimidade o recurso do pai.

Na decisão, a Corte considerou que a liberdade pessoal do homem para professar e praticar a fé evangélica permanecia preservada. A restrição dizia respeito especificamente à participação do filho menor nas práticas religiosas enquanto persistisse o desacordo entre os pais.

Os magistrados também destacaram o interesse da criança e sua futura liberdade para decidir sobre questões religiosas quando alcançasse maturidade suficiente.

A Corte espanhola levou em consideração um precedente do próprio Tribunal Europeu de Direitos Humanos, de 2022, envolvendo um pai Testemunha de Jeová na Itália.

Naquele caso, o tribunal europeu entendeu que o interesse da criança e a conciliação das escolhas educacionais dos pais deveriam ser considerados diante de um conflito sobre sua formação religiosa.

No caso espanhol, o Tribunal Constitucional sustentou ainda que a medida não representava uma avaliação negativa da fé evangélica, mas estava relacionada ao desacordo entre os pais e à formação anteriormente oferecida à criança.

Caso chega a Estrasburgo

Com as possibilidades de recurso na Espanha esgotadas, o pai apresentou o caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

A discussão agora pode colocar em análise os limites da intervenção do Estado quando pais separados discordam sobre a transmissão da fé aos filhos menores.

Caso o processo avance para análise de mérito, a Corte poderá examinar até que ponto um dos pais pode compartilhar suas convicções religiosas com o filho quando o outro se opõe e quais limites podem ser impostos pelo Judiciário.

A Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (FEREDE) anunciou que pretende participar do processo como amicus curiae – terceiro interessado que fornece argumentos e informações ao tribunal sem se tornar uma das partes da disputa.

De acordo com a organização, sua participação busca oferecer uma perspectiva mais ampla sobre as possíveis consequências da decisão para a liberdade religiosa dentro das famílias.

Segundo o Evangelical Focus, a FEREDE considera o processo relevante justamente porque seu resultado poderá ultrapassar o conflito específico entre os pais e contribuir para a discussão sobre o exercício da liberdade religiosa no ambiente familiar.

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/noticias/pai-evangelico-recorre-corte-europeia-apos-ser-proibido-de-ensinar-biblia-ao-filho.html


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Bençãos que não tem fim

Isadora Pompeo

top2
2. Se eu não te ouvir

Sarah Farias

top3
3. Raridade

Anderson Freire

top4
4. Bondade de Deus

Isaías Saad

top5
5. Deserto

Maria Marçal

Anunciantes